
Oferecer a oportunidade dos portadores de tetraplegia interagir com o universo dos computadores e da internet. Esse é o principal objetivo do projeto do bacharel em Sistemas de Informação, Watson Júnior Felipe de Sousa, formado em 2009, pela FACITEC. Watson também é Técnico em Eletrônica, formado pela Escola Técnica de Brasília – ETB e atualmente faz o curso de pós-graduação em Engenharia de Software, na FACITEC. Além disso, é aluno especial do curso de mestrado em Engenharia Elétrica, na Universidade de Brasília – UnB.
O projeto em questão é um mouse para pessoas tetraplégicas, que funciona da seguinte maneira: um circuito acoplado a um boné e conectado a um computador comum por meio de conexão USB, permite que o usuário tetraplégico mova o cursor do mouse na tela, por meio de movimentos com a cabeça. Esses movimentos podem ser para a esquerda, direita, para cima e para baixo. Quando o usuário fica com a cabeça parada, é acionado um led, que fica acoplado em um equipamento posicionado em cima do monitor do computador, que aciona a função de clique.

“Quando trabalhei no Hospital Sarah Kubitschek, por quase três anos, percebia a dificuldade que as pessoas tetraplégicas tinham para interagir com o mundo, em especial com o computador e com a internet. Então tive a idéia de criar esse equipamento que poderá amenizar esses obstáculos. Assim surgiu esse mouse que funciona com o movimento da cabeça da pessoa. Com esse projeto, consegui mesclar os conhecimentos do curso de eletrônica com os do curso de Sistemas de Informação”, explica Watson de Souza.
O inventor ressalta que a idealização de ferramentas para que os tetraplégicos utilizem o computador não é nova. Existem outros projetos que utilizam o movimento dos olhos, expressão facial, a ação de soprar, entre outras. Entretanto, a ideia de Watson é inovadora, pois além de utilizar os movimentos da cabeça, o hardware não precisa de nenhuma calibração ou configuração prévia. Ou seja, assim que Watson aprimorar ainda mais o projeto, para uma etapa de transmissão wirelless (sem fio), o equipamento irá possibilitar que os usuários possam utilizar o mouse em qualquer computador, como por exemplo, em caixas eletrônicos.
As evoluções do “mouse-cabeça” não param por aí. A pretensão de Watson de Sousa é que o mouse funcione por meio de impulsos cerebrais. Para isso, contará com os conhecimentos adquiridos no curso de Mestrado em Engenharia de Software, e, futuramente, em um doutorado que pretende cursar.
A execução do projeto demorou dois anos, desde a concepção até o produto final, que foi tema do projeto de conclusão de curso de Watson. A monografia intitulada Acessibilidade: desenvolvimento do dispositivo mouse-cabeça com interface USB e ativação por acelerômetro para interação com computadores pessoais foi apresentada em 120 páginas com explicações teóricas, fotos e ilustrações, que demonstram o funcionamento do sistema.
“Tive todo o apoio acadêmico na elaboração do projeto, em especial da coordenação do curso de Sistemas de Informação da FACITEC, representada pelo professor Alex Casañas. Além disso, muitos professores do curso me ajudaram e incentivaram a levar o projeto adiante”, comentou Watson.
O projeto não recebeu o incentivo financeiro de nenhuma empresa, mas Watson gostaria de obter um patrocínio para suas pesquisas, pois segundo ele, a maior dificuldade na execução do projeto foi o custo de algumas ferramentas e dispositivos, como por exemplo, o acelerômetro, um sensor que possibilita identificar o movimento e a posição de objeto. Esse sensor é muito utilizado hoje em celulares como o Iphone. De acordo com pesquisas do próprio inventor, o custo do “mouse-cabeça”, em sua configuração mais simples, que utiliza o boné, sairia em torno de R$ 100, se produzido em grandes quantidades.
Veja a repercussão do projeto de Watson no jornal Correio Braziliense.
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Assessoria de Comunicação Facitec – ASCOM
Por: Ana Carolina Silva (Assistente de Comunicação)
Fotografia: Ana Carolina Silva (Assistente de Comunicação)
Coordenação: Vânia Balbino de Souza
09/03/2010